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O FESTIVAL DO BARCO-DRAGÃO: SUAS ORIGENS E COSTUMES

Por Verena Veludo

O Festival do Barco-Dragão, 端午 Duānwǔ jié, um dos quatro festivais tradicionais mais importantes da China, ocorre no quinto dia do quinto mês do calendário lunar chinês, próximo ao solstício de verão do hemisfério norte. É uma festividade popular que reúne o culto a deuses e ancestrais, a prece por bênçãos para afastar as doenças, e a celebração com atividades recreativas e comidas típicas. No ano de 2024, foi comemorado no dia 10 de junho.

Segundo registros históricos, desde o Período da Primavera e do Outono (770 – 476 AEC), os habitantes da região da Planície Central da China já tinham o costume de celebrar o Festival do Barco-Dragão. Para 聞一多 Wén Yìduō (1899-1946), poeta e professor do Departamento de Chinês da Universidade de Tsinghua, o quinto dia do quinto mês era o dia do sacrifício feito pelos povos e Yuè aos seus ancestrais, adoradores do totem do dragão, para prevenir doenças e evitar epidemias em decorrência do clima mais quente. 

Mais tarde, a festividade tornou-se oficial na Dinastia Han (202 AEC 220 EC). A história mais conhecida na China moderna atribui a origem do festival às comemorações em memória ao poeta屈原 Qū Yuán (342 – 278 AEC). Qu Yuan foi um ministro do antigo estado de Chǔ do Período dos Estados Combatentes (476 – 221 AEC), que se afogou no rio 罗江 Mìluó jiāng, depois de ter sido exilado, acusado injustamente de traição. Outras personalidades da história da China são lembradas nesta data em diferentes regiões, sendo sobrepostas à tradição festiva preexistente. 

Os principais costumes do Festival do Barco-Dragão são:

  • pendurar a imagem de 钟馗 Zhōngkuí, divindade taoísta que combate os espíritos malignos; 
  • levar os filhos, que ainda não completaram um ano de idade, à casa dos avós para protegê-los; 
  • amarrar amuletos feitos de papel, e folhas de Cálamo e Artemísia na porta das casas; 
  • carregar consigo sachês de seda preenchidos com ervas medicinais para repelir os insetos; 
  • beber o vinho de Realgar 雄黄酒 xiónghuáng jiǔ, e usá-lo para escrever o caractere wáng (rei) na testa das crianças – uma superstição para proteção contra enfermidades;
  • preparar e comer 粽子 zòngzi, bolinho de arroz glutinoso embrulhado em folhas de bambu com recheios de sabor doce ou salgado;
  • participar de competições de remo em barcos decorados com dragões, entre outras atividades.

Em maio de 2006, o Conselho de Estado da República Popular da China incluiu o Festival do Barco-Dragão na Primeira Lista Nacional do Patrimônio Cultural Imaterial. Desde 2008, é feriado oficial no calendário chinês. Em setembro de 2009, a UNESCO aprovou oficialmente a sua inclusão na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, tornando-se o primeiro festival chinês a ser selecionado como patrimônio cultural imaterial internacional. 

A festividade ultrapassou as fronteiras chinesas e tornou-se um fenômeno global, sendo celebrado também no Japão, na Coreia do Sul e em outros países do Leste Asiático. Chegou ao Brasil no Instituto Confúcio na Unesp que celebra a festividade anualmente, incorporando-a à tradicional Festa Junina brasileira. Neste ano nossa Festa Junina do Barco-Dragão terá comidas típicas, brincadeiras, música, danças, prendas e muito mais! Será realizada no dia 22/06/2024, a partir das 17h. Marque na sua agenda, e traga sua família e amigos para celebrarmos juntos!

端午节快乐 Duānwǔ jié kuàilè!

Feliz Festival do Barco-Dragão!