fbpx Skip to main content

Conjuntura internacional favorece o Brasil como destino de investimentos chineses

 

Por  Luís Antonio Paulino   21/08/2023

 

A China está respondendo à deterioração das relações com o Ocidente liderado pelos EUA e fortalecendo os laços comerciais e de investimento com outras partes do mundo. Diante das crescentes restrições que os Estados Unidos e seus aliados estão impondo às empresas chinesas em sua guerra comercial e tecnológica contra a China, elas estão mudando sua estratégia de investimento direto no exterior, dando preferência aos países em desenvolvimento, onde não apenas são bem-vindas, como também as oportunidades de mercado são maiores.

 

Segundo o Wall Street Journal (24/7), “O investimento chinês está recuando do Ocidente à medida em que a hostilidade ao capital chinês aumenta. Cada vez mais, as empresas chinesas estão gastando dinheiro em fábricas no Sudeste Asiático e em projetos de mineração e energia na Ásia, Oriente Médio e América do Sul. O maior receptor de investimentos chineses até agora este ano é a Indonésia, rica em níquel, de acordo com uma estimativa preliminar de investimentos chineses compilada pelo American Enterprise Institute, um think tank conservador.”. Ainda segundo o jornal, “A mudança nos fluxos de investimento mostra como a China está respondendo à deterioração das relações com o Ocidente liderado pelos EUA e está fortalecendo os laços comerciais e de investimento com outras partes do mundo, de maneira que podem criar novas linhas de falha na economia global”.

 

O Brasil em particular tem se beneficiado dessa mudança de estratégia chinesa como atestam os recentes anúncios de investimentos de empresas chinesas no Brasil.

 

Como destaca matéria do jornal “O Estado de S. Paulo” (23/7), gigantes chinesas de setores como eletroeletrônicos, eletrodomésticos e automotivos estão apostando no Brasil como um novo endereço para expandir seus negócios. De acordo com o jornal, “No setor de eletrônicos, nomes como Gree, Midea, Hisense e TCL, preparam uma ofensiva no mercado brasileiro, avaliado como de grande potencial de consumo para itens das linhas branca e marrom (…) Conforme divulgado pela companhia, a Midea Carrier está investindo R$ 600 milhões para erguer uma fábrica de refrigeradores de duas portas no sul de Minas Gerais, em Pouso Alegre. A nova planta, de 73 mil metros quadrados, começa a funcionar no final de 2024 e terá capacidade para produzir 1,3 milhão de aparelhos por ano.

Já no mercado automotivo, as empresas chinesas do setor também estão ampliando investimentos no País, de olho no segmento de veículos elétricos e híbridos, ocupando um espaço que está em compasso de espera nos planos da maioria das fabricantes tradicionais. Em menos de dois anos, três montadoras — GWM, BYD e Higer Bus —, anunciaram aportes que somam mais de R$ 20 bilhões em produção local, enquanto um quarto grupo, o XCMG, avalia iniciar operações nos próximos dois anos”. Conforme noticiou o jornal o Estado de S. Paulo (01/7), “Em menos de dois anos, três montadoras — GWM, BYD e Higer Bus —, anunciaram aportes que somam mais de R$ 20 bilhões em produção local. Um quarto grupo, o XCMG, avalia iniciar operações em dois anos. Novos projetos devem chegar ao País, como os de fabricação de componentes, dizem executivos do setor. Novos equipamentos nacionais e importados estão sendo instalados na planta, que também terá sua capacidade produtiva ampliada de 20 mil para 100 mil carros ao ano”.

 

Ainda segundo o jornal, “a BYD, maior fabricante global de veículos elétricos desde o ano passado, quando ultrapassou a Tesla, está perto de concluir negociações para a compra da fábrica da Ford na Bahia, desativada desde 2021. Lá, pretende instalar três bases produtivas de automóveis, caminhões e ônibus e processamento de lítio para baterias. A produção local terá início 18 meses após o fechamento dos contratos, informa Tyler Li. Caso não dê certo a compra das instalações, o grupo afirma ter um Plano B. O investimento anunciado para a fábrica é de R$ 3 bilhões. “Esse valor certamente vai aumentar”, diz o executivo. Há informações de que pode chegar a R$ 10 bilhões, o mesmo aprovado pela GWM. Segundo ele, o grupo tem centenas de pessoas trabalhando atualmente em diversas frentes de atuação, com suporte da matriz em infraestrutura e tecnologia. A BYD tem outras três fábricas no País de ônibus elétricos e de módulos fotovoltaicos em Campinas (SP), e de baterias de fosfato de ferro lítio para veículos comerciais em Manaus (AM)”.