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Por Cesar Matiusso

Há pouco mais de uma década, o que hoje conhecemos como “dicionário de papel” se chamava apenas “dicionário”, e não era preciso outra alcunha para impor respeito. No caso do chinês, quando aparecia um ideograma desconhecido, uma das formas de se fazer uma busca era pelo radical do caractere, que devia ser localizado em uma lista de radicais ordenada de acordo com o número de traços. Ocorre que, para iniciantes, identificar radicais e contar traços pode não ser uma tarefa fácil e, ao mesmo tempo, um dos únicos lugares onde era possível se informar sobre o radical de um ideograma era justamente o verbete do dito cujo. O jogo já começava no um a zero para o dicionário – e não parava por aí.

Os radicais listados traziam uma indicação de página ao lado, na qual se encontrava um compêndio de todos os caracteres classificados sob aquele radical, também ordenados pelo número de traços, mas desta vez da “outra metade” do ideograma. Muitas foram as vezes que, nessa segunda estação da via crucis versão impressa, descobriu-se que a busca havia sido feita a partir do radical errado, sob a penalidade exemplar de se recomeçar tudo do zero. Numa busca bem-sucedida, o ideograma era encontrado e, a seu lado, constava a pronúncia em pinyin, mais uma pista para a próxima etapa do processo no melhor estilo “Código Da Vinci”. Só com a pronúncia romanizada em mãos, na derradeira busca, por ordem alfabética, é que se encontrava o verbete! Note que não era necessário se conhecer a sequência de Fibonacci.

Em resumo, com todo o apreço que se possa ter pelos livros de papel, fica difícil não se solidarizar com os estudantes de chinês sobreviventes dos dicionários, hoje peças inofensivas nas prateleiras que ocasionalmente abro – como quem abre um álbum de família, lembrando parentescos, buscando semelhanças e, por vezes, me reencontrando lá dentro, na forma de uma anotação ou grifo de tempos idos. Tudo isso porque, nos últimos anos, a internet e os smartphones promoveram uma profunda transformação no jeito de estudar chinês, e fazer uso dessas ferramentas pode significar uma vantagem enorme nos estudos. Seguem algumas dicas:

Pinyin Trainer🤖

Para os alunos iniciantes, é importante se acostumar aos sons da língua chinesa, que incluem os quatro tons do mandarim. O aplicativo traz uma tabela de pinyin (chinês transliterado para alfabeto romano) com som e uma sequência de testes com áudio, que facilitam o processo e ajudam o estudante a descobrir e sanar suas dificuldades.

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Pleco 🤖🍏

Mais que um aplicativo, o Pleco é um modo de vida conhecido e compartilhado pelos estrangeiros na China e estudantes da língua chinesa em todo o mundo. É o aplicativo com mais recursos para o estudo de chinês e funciona para aventureiros de todos os níveis. Tem uma versão grátis básica e vários recursos pagos que, juntos, permitem buscar caracteres por radical (como nos dicionários físicos), por voz, escrevendo o ideograma na tela, digitando ou apontando a câmera para uma palavra escrita. Permite abrir arquivos de texto em modo interativo, com pop-ups de vocabulário, além de um sistema muito avançado de flashcards. Com acesso a vários dicionários (há gratuitos e pagos), o aplicativo se transforma em um grande banco de dados no qual, com apenas um clique, é possível criar um flashcard a partir do verbete consultado. Como ponto negativo, pode-se dizer que ele oferece tanta coisa que um usuário novo pode se sentir perdido. Para quem já é experiente e sonha em ter o Pleco no computador, um emulador do sistema Android pode funcionar.

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Du Chinese🤖

O melhor aplicativo para quem quer focar o aprendizado com textos, não apenas vocabulário avulso. É o equivalente aos livrinhos que trazem na contracapa a informação de quantas palavras é preciso conhecer para ler aquele texto – comuns em outras línguas, mas raros no caso do chinês. Com material disponível para vários níveis, o texto aparece na tela, acompanhado do pinyin e de uma gravação em áudio de boa qualidade (faço esse destaque porque isso é uma raridade). Durante a leitura, é possível selecionar vocabulários para ouvir individualmente e ver sua definição e, ainda, salvar as palavras novas que ele transforma em flashcards automaticamente. O Du Chinese cobra uma assinatura para que o usuário acesse todos os textos quando quiser, mas as publicações mais recentes ficam sempre abertas por alguns dias, o que faz dele uma ótima opção para treinar a leitura e a formação de palavras.

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Hanping popup🤖

Um braço do aplicativo Hanping Chinese, que se parece com o Pleco, embora mais básico, esta ferramenta consiste em uma pinça que flutua sobre a tela do celular ou tablet. Quando colocada sobre um ideograma, identifica-o em um pop-up com a definição e a pronúncia. Uma grande ajuda para quem já usa chinês no dia-a-dia e se aventura fora dos materiais didáticos. Apesar do preço um pouco alto para um aplicativo, funciona muito bem. O próprio Pleco tem uma função parecida, mas que não entrega resultados tão bons.

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Anki🤖🍏💻

Um programa especializado em memorização com flashcards – cartões usados para se aprender o som ou a definição de um caractere – que pode ser acessado no navegador do computador, além de estar disponível em diferentes plataformas. Um dos métodos é o da memorização espaçada, cujo objetivo é fixar informações em nossa memória de longo prazo. Pode ser usado para criar de cartões simples até sistemas complexos e oferece estatísticas sobre a aprendizagem dos vocabulários, com fórmulas à la Excel e diferentes tipos de formatação, que podem incluir sons e imagens. Inúmeros plug-ins interessantes estão disponíveis, com funções diversas e uma comunidade internacional participativa trocando decks (baralhos) sobre os mais diversos assuntos, dentre os quais o chinês é um dos mais destacados.

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Classifiers🤖

A maioria dos estudantes não tem dificuldades em aprender a função e uso dos classificadores em chinês, lembrar qual classificador usar com cada substantivo pode ser difícil. Para quem quer virar um mestre no uso dessas estruturas, o Classifiers é um aplicativo especializado no assunto, com diversos jogos e recursos para ajudar a memorização. Oferece uma lista de classificadores com bons exemplos de uso, além de testes com ideogramas e frases.

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zhongwen.com💻

Se você não tem pressa e quer passear por um verdadeiro jardim botânico de árvores genealógicas de ideogramas chineses, eis o seu lugar. Embora nem todas as explicações etimológicas sejam comprovadas, podem dar boas ideias lógicas que ajudam a fixar o sentido de alguns caracteres. Se você já se cansou de tanta tecnologia, o conteúdo foi transformado em livro e vale muito a pena, massó pode ser comprado em sites no exterior.

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MDBG💻

Para quem já se aventura trocando e-mails e fazendo algumas leituras fora dos livros didáticos, o MDBG permite colar o texto em sua busca. A partir daí, é gerada uma lista de todas as palavras com definições e pronúncia, uma versão “mastigada” do texto. O mesmo site oferece um software que promete ler qualquer programa Windows, com definição em pop-ups quando se passa o mouse sobre um caractere, mas não tem um bom custo-benefício. Não compre sem testar antes a versão gratuita.

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Perapera Chinese💻

Uma extensão para navegadores no computador, o Perapera mostra a definição de palavras e ideogramas quando se passa o mouse sobre eles. Além de ser de grande ajuda na navegação por sites chineses, todo o seu conteúdo é gratuito. Continuamos sonhando com uma versão para computador que leia os caractere sem qualquer aplicativo.

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Cada estudante tem um jeito diferente de aprender, mas sempre existe um aplicativo ou ferramenta digital capaz de tornar o processo mais ágil e interessante. Apesar de toda essa ajuda ser bem-vinda, vale a dica de aproveitar o tempo economizado para ficar um pouco mais off-line.